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27.03.2009
Aquecimento global explica 37% das secas, diz pesquisador

O aquecimento global deve receber mais de um terço da culpa por uma grande queda na precipitação pluviométrica no mundo, o que inclui uma seca de uma década na Austrália e uma longa estiagem nos Estados Unidos, disse um pesquisador nesta quarta-feira.

Peter Baines, da Universidade de Melbourne, na Austrália, analisou índices de precipitação de chuvas, dados da temperatura de superfície do mar e uma reconstrução de como a atmosfera se comportou nos últimos 50 anos, com o objetivo de mostrar quem ganhou e quem perdeu em quantidade pluviométrica.

O que ele encontrou foi uma tendência na qual as chuvas têm constantemente caído nos últimos 15 anos, com o aquecimento global tendo 37% de responsabilidade nesse fato.

- Os 37% provavelmente aumentarão se o aquecimento global continuar - afirmou Baines em Perth, no oeste australiano, onde ele apresentou os resultados em uma importante conferência sobre mudanças climáticas.

A análise de Baines indicou regiões onde os índices pluviométricos têm caído. As áreas afetadas são a área continental dos Estados Unidos, o Sudeste Asiático, uma grande região equatorial na África e o Altiplano da América do Sul. Mas há também duas regiões tropicais onde a precipitação de chuvas têm aumentado: o noroeste da Austrália e a Bacia Amazônica.

- Tudo isso é parte de um padrão global no qual as chuvas têm geralmente aumentado nas áreas intertropicais e caído nas subtropicais em latitudes médias - afirmou Baines, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Melbourne.

A tendência de precipitação também foi acompanhada por uma outra sobre as temperaturas de superfície dos mares e oceanos, acrescentou, dizendo que usou dados retroativos a 1910.

A temperatura de superfície têm subido junto com a atmosférica.

- Se você pegar os dados de temperatura de superfície e os analisar sobre um período, você pode fragmentá-los em uma série de componentes, como o componente de aquecimento global - disse.

Ele também observou a influência nas chuvas dos grandes fenômenos de circulação oceânica que têm um impacto no clima do mundo, como as correntes atlânticas que levam temperaturas quentes para o norte da Europa.

Dois padrões do Pacífico, incluindo a Oscilação Decadal do Pacífico, também foram estudadas sobre suas influências nas chuvas. A chave de sua análise foi decifrar a influência do El Niño, que causa seca no Sudeste Asiático e na Austrália e inundações no Chile e no Peru.

Baines, que também trabalha para o Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, na Inglaterra, afirmou que as correntes do Atlântico têm 27% de culpa pela queda nas chuvas, enquanto dois fenômenos do pacífico recebem 30% de responsabilidade.
(JB Online)





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