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19.03.2009
Minc defende metas de emissão para países emergentes

As discussões para um novo acordo da ONU contra o aquecimento global estão sob ameaça de um "apartheid climático" entre países ricos e pobres, e as economias emergentes precisam fazer sua parte assumindo metas para restringir a emissão de gases do efeito estufa, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Os países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China, devem adotar metas de emisão, mas os países ricos precisam cumprir as promessas relativas às atuais metas climáticas e transferir tecnologia e verbas para os países pobres, disse em entrevista o ministro.

- Sou a favor de metas quantificáveis e mensuráveis para inverter o crescimento das emissões, diferenciadas para cada país (em desenvolvimento) - disse Minc em entrevista na noite desta quarta-feira.

Países pobres até agora ficaram isentos de cumprir metas de emissão de gases-estufa, responsáveis por acelerar o aquecimento global, e não se espera que seja estabelecido algum limite de emissão como parte de um novo acordo. O Brasil busca um papel de negociador na reunião de Copenhague, em dezembro, que vai discutir um novo tratado de clima para substituir o Protocolo de Kyoto após 2012.

O principal dirigente da ONU para questões climáticas, Yvo de Boer, disse nesta semana que ainda não há propostas específicas, inclusive com relação a mecanismos de financiamento, que possam levar a um acordo, classificando como "preocupante" o avanço tímido.

- Hoje existe um apartheid climático entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, há uma desconfiança muito grande - afirmou o ministro.

O Brasil pretende conciliar as posições de Índia e China e tem conversado com esses dois governos, segundo Minc.

- Há um diálogo, mas também diferenças. A China se esconde por trás de outros países em desenvolvimento como se tivesse as mesmas emissões que Papua-Nova Guiné, e isso não vai colar - armou Minc.

O governo está finalizando sua proposta sobre metas, disse Minc, que defende não só um limite, mas também reduções nas emissões do país. No ano passado, ele apresentou um plano para reduzir à metade nos próximos dez anos o desmatamento da Amazônia, o que evitaria a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.
(JB Online)





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